Em meados da década de 80 foi a vez de ter uma 250 cc da MZ Simpson, originária da já inexiste Alemanha Oriental. Sobre ela encontrei o seguinte texto na internet:
"Em 1984 a FBM [com sede em Cachoeirinha, RS] firmou um acordo com a fábrica MZ (Motorradwerke Zschopau ), da então Alemanha Oriental (DDR), com tecnologia das extintas DKW. Os brasileiros, acostumados à tecnologia japonesa, de Honda e Yamaha, viram-se diante de uma moto com tecnologia antiga, 2t, refrigerada a ar, com pedal de partida do lado esquerdo, pouco potente (21CV), contudo com uma fama mundial de resistência extrema e pouca manutenção. O modelo alemão, ETZ 250, era estranho, em termos de design, para o gosto dos brasileiros, mas o modelo nacional, batizado de MZ 250 RS, era bem resolvido nesta questão. Apesar dos esforços da FBM, a penetração mercadológica do modelo foi pequena. Em 1986, a FBM passa a denominar-se MZ Simson do Brasil. Neste mesmo ano, lança uma versão 'De Luxe' , a MZ 250 RSJ, com melhorias estéticas, e especula-se, mecânicas, estas nunca confirmadas pela fábrica.
[...]. Contudo, dificuldades financeiras tanto da ex-FBM, como da própria MZ alemã, levaram ao fechamento definitivo, em 1987, da MZ Simson do Brasil, após a produção de 11.840 unidades da MZ brasileira."
Embora todas as críticas feitas à ela e todas as esquisitices, entre as quais a que chamava mais a atenção fosse o pedal de arranque do lado esquerdo, era uma grande moto. Posso dizer com orgulho que fui proprietária de uma das únicas 11.840 MZs fabricadas no Brasil. Apenas que a minha vermelha e não azul como a da foto, que utilizei apenas de forma ilustrativa, pois a maioria de vocês que lêem este blog (e não devem ser muitos... rsss...) nunca devem ter visto uma.
Dela tenho uma lembraça em especial. Um dia, com chuvisqueiro e muito frio, mas muiiito frio, decidimos subir a serra, até Canela no RS, para assistir a uma prova do campeonato brasileiro de motocross. Eram 11 CBs 400, uma "viúva negra" (assim era chamada a 350 da Yamaha) e a minha MZ; ela foi motivo de gozação na saída. Mas na chegada fui o quarto, deixando 8 CBs bem atrás; utilizando a 4ª marcha e não a 5ª ela andava muito.
Foi também a primeira moto com a qual enfrentei uma distância um pouco maior; em 1987... putz, já faz tempo... fiz com ela os 642 Km de Santa Cruz do Sul, minha cidade natal no RS, a Florianópolis; foi apenas uma parada. Mochila e barraca na garupa fui conversar com meu orientador, levando na bagagem a primeira versão da minha dissertação de mestrado. Fiquei no Camping dos Eucaliptos, em Canasvieiras.
A MZ fou uma companheira que faço questão de não esquecer.